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Plenitude

  Plenitude À Maruxinha     Junto à margem de um lago, onde a madrugada não iluminava a água,  mas antes parecia recordar-se nela, erguia-se uma flor branca.  Ninguém sabia desde quando ali estava.  Talvez existisse antes de as primeiras aves descobrirem o céu,  talvez fosse apenas a última de uma longa linhagem de  flores esquecidas, cujos nomes o vento levara consigo. Era bela. Não de uma beleza que exige admiração,  mas daquela beleza silenciosa que nada precisa de provar. Os juncos murmuravam-lhe que as raízes eram a verdadeira  felicidade. Os salgueiros falavam-lhe das estações como quem  conta uma promessa. Até o lago, que tudo refletia e nada  retinha, lhe dizia todas as manhãs: — Fica. Tudo o que permanece pertence à terra. E a flor acreditou nisso durante muito tempo.   Até ao dia em que um cisne branco deslizou sobre a água. Não era mais veloz do que o vento, nem mais luminoso do que a luz.  Mas transportava...

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