Quarta-feira, Julho 15, 2009

A Saudade



(pintura de mari aulinen: "der regen ist vorbei")

A chuva cai,
eu,
árvore nua.
as folhas caídas,
neste chão, neste inverno.

meu sorriso indiferente,
eu,
numa foto antiga.
a saudade desvaneceu,
estou mais perto, neste inverno.

a chuva cai,
em mim,
nesta paisagem, este café frio,
esta manhã cinzenta.

teu último beijo,
teus lábios,
tua saliva,
teu gosto,
a saudade desvaneceu.

RuiLuís

Domingo, Junho 03, 2007

Licht

( Bild von Elisabeth Schubert "Kraft der Liebe")

Ein Licht in der Stille
erhellt die Dunkelheit
zu einem Moment,
wie eine Berührung,
wie ein Hauch.

In kurzer Zeit
zerbricht es die Sehnsucht,
erfüllt den Wunsch
und stillt den Durst
in der Trockenheit der Einsamkeit.

Ein Licht in der Stille
die uns umhüllt, uns umschließt
wie der Mantel einer Nacht,
der uns vereint
bis der neue Tag erscheint.


rui luís

Segunda-feira, Maio 28, 2007

Mohn


(Bild von Elisabeth Schubert - "Mohnblume")



Ich komme wie ein frischer Frühlingswind


und umtanze deine roten Blätter.


Lange Zeit habe ich gewartet,


dich in dieser Sonne blühen zu sehen.



Ein neues Licht, dass mich umgibt


und meine Sinne weckt


als ob mich dein Kleid streifen würde.



Ein neues Licht, mit diesem Frühling


und diesem Tanz, und der Melodie


deiner roten Blätter.




rui luís


Quinta-feira, Janeiro 11, 2007

enquanto dormes

(pintura de maren fiebig "schlafende frau")
escuto os teus movimentos
nas brumas matinais,
escuto o teu sono
quando deitados estamos
e não faço outra coisa
a não ser olhar-te

sigo o caminho entre as brumas
e não pergunto quando se irão dissolver
não quero fazer mais perguntas

quero escutar-te, escutar o tempo,
o tempo em que estás,
o tempo que poderei estar perto

no silêncio recordo as palavras
que te desejo dizer
são as palavras
que não cabem neste espaço

(tu sabes, que a lua as conhece...)

penso-te no silêncio desta manhã,
como a linguagem
que quero falar...
mas agora, não quero falar,
só te quero escutar
enquanto dormes

guardo os teus movimentos,
escuto o teu sono
e não faço outra coisa
a não ser olhar-te,
pois em breve irás acordar
a qualquer momento...



ruiluis

Sexta-feira, Julho 14, 2006

Abendröte




(bild "kopfkino" von stäubchen)


Mein Schrei,
( wie Vulkane in der Explosion des Zorns )
sprengt Fesseln...
( nur um das Innere des Schmerzes nach draussen zu winden )
in mir,
(...diese Wunden auf der Seele...)
die Abendröte...


Du spazierst auf meiner Narbe
( weil Unverstand auf mich traf...)
und vergehst im Nebel der Zeit...
( Versuch dich in eine Welt voll Dunkelheit...)
in mir,
( ...diese Wunden auf der Seele...)
die Abendröte...
( wie Vulkane in der Explosion des Zorns .)


ruiluis (basiert in Worte von Stäubchen)

Domingo, Junho 04, 2006

de um tempo ausente


(pintura de c.d.friedrich "frau in der morgensonne")

...e visto-me de noite mansa
aquela que avisa o fim da primavera
e oiço o seu coro, sua melodia
aquela, que não me faz bailar...
(...sabes que pertencemos mesmo um ao outro...)
...por isso regresso com as luzes
aquelas que guiam em todos os caminhos
e vejo com a claridade dos morcegos
eles sim, vêem sem ver...
(...sabes que pertencemos mesmo um ao outro...)
...é mais uma folha escrita
daquelas que escrevia sem destinatário
aonde as letras se recusavam na direcção
pois essas, apagavam-se com o tempo...
(...sabes que pertencemos mesmo...)
ruiluis

Segunda-feira, Março 20, 2006

corte final

à feição dum corpo
o corte, a separação final
e num disparar do tempo
gritos mudos num sepulcro

são de olhos orvalhados
espalhando o vazio no chão
as visões de brumas passadas
as trevas de sombras quietas

à feição dum corpo
são de olhos orvalhados
o corte, a separação final
e um resto de um suspiro...