sábado, julho 22, 2017

Berlin Breitscheidtplatz


(Foto by Maurizio Gambarini)


Hoje a cidade é triste
A neblina matinal a colar na estrada.
Na praça, alguns restos de sangue.
Vidros partidos a cheirar a gasolina, cravo e canela.

Hoje a cidade está diferente
A morte prematura do natal
O veneno que se vendeu voltou
Para não falhar o meio do coração. 

O silêncio do povo é igual à mágoa das pombas.
Numa igreja ferida cheia de gente
Ruínas do passado, um lamento, um susto

Um ouvido esconde o medo
E uma boca murmura uma cãibra.
Restam as pétalas de rosas no chão.

Heute ist die Stadt traurig
Der Morgennebel klebt auf der Straße
Auf dem Platz liegen einige Reste vom Blut.
Glasscherben die nach Benzin, Nelke und Zimt riechen 

Heute ist die Stadt anders
Der verfrühte Tod des Weihnachtsfestes.
Das verkaufte Gift kehrte zurück,
um die Mitte des Herzens nicht zu verfehlen.

Die Stille des Volkes ist wie der Kummer der Tauben
In einer verletzten Kirche voller Menschen:
Ruinen der Vergangenheit, eine Klage, ein Schreck

Ein Gehör versteckt die Angst
und ein Mund spricht leise einen Krampf aus.
Übrig bleiben die Rosenblätter auf dem Boden.

sábado, junho 15, 2013

Tão longe

Foto "Sansouci Sunset" by ruiluís


Tão longe


Hoje, vejo-te tão longe
 teu cabelo cor de abóbora
 que cheirava a alfazema pálida

Tão longe...
 como um horizonte nú
 uma viagem inacabada
 num comboio que não sabe aonde parar

E hoje, é tudo meu,
 e enfeito a minha vida
 a semear quivis,
 que esperam pelo verão.

É a inocencia da flor da amendoeira,
 É o silencio duma nuvem que passa

E vejo-te tão longe, tão longe...



Ruiluís 

So fern




Foto "Sansouci Sunset" by Ruiluís



So fern


Heute seh' ich dich so fern,
 dein kürbisfarbenes Haar,
 dass nach blassem Lavendel roch.

So fern,
 wie ein nackter Horizont,
 eine nicht zu Ende gegangene Reise
 in einem Zug, der nicht weiß,
 wo es anhalten soll.

Und heute, gehört mir alles.
 Und ich schmücke mein Leben mit Kiwisamen,
 die auf den Sommer warten.

Es ist die Unschuld der Mandelblüten.
 Es ist die Stille einer
 vorbeiziehenden Wolke.
 Und ich seh' dich so fern, so fern...


Ruiluís


quarta-feira, maio 16, 2012

A liberdade das andorinhas

"Vogelflug" by Martina Lina Hirschpiel
http://hirschpiel.de/sign


As andorinhas estão de volta.
É o meu começo da primavera.
Uma primavera, as primeiras andorinhas
assim como eu as esperava.

Recordo a minha ansiedade,
a liberdade das andorinhas.
As andorinhas, negras e livres.
A primavera é uma repetição.

O meu começo da primavera
com a regularidade
dos acontecimentos repetitivos.


Agora espero por mim,
com ansiedade, negro e jovem.
E sou andorinha,
sou primavera e livre.

Talvez já o fui outrora.
Não sei. É possivel.
Tudo se repete. É sempre assim.
A repetição é uma primavera.

(Agora, de manhã cedo alguém passeia o seu cão,
enquanto um comboio
passa por cima da ponte.)

As andorinhas estão cá. Primavera.

RuiLuís

Die Freiheit der Schwalben


"Vogelflug" by Martina Lina Hirschpiel
http://hirschpiel.de/sign



Die Schwalben sind wieder da.
Es ist mein Anfang des Frühlings.
Ein Frühling, die ersten Schwalben,
so, wie ich es erwartete.

Ich denke an meine Vorfreude.
An die Freiheit der Schwalben.
Die Schwalben, schwarz und jung.
Der Frühling ist eine Wiederholung.

Mein Anfang des Frühlings
mit der Gewöhnlichkeit
der wiederholenden Ereignisse.


Jetzt warte ich auf mich selbst,
mit Vorfreude, schwarz und jung.
Und ich bin Schwalbe,
bin Frühling und frei.

Vielleicht war ich es schon mal.
Ich weiß es nicht. Möglich.
Es wiederholt sich alles. Immer wieder.
Die Wiederholung ist ein Frühling.

(Jetzt am frühen Morgen, spaziert jemand im Park
mit seinem Hund, während ein Zug
über die Brücke fährt.)

Die Schwalben sind da. Frühling.

RuiLuís

sábado, janeiro 22, 2011

Fez-se tarde

 (Caspar David Friedrich - "Meeresufer im Mondschein")


Fez-se tarde
deixei de contar as marés
e todas as ondas tristes
que vinham morrer aos meus pés

Inúmeras vezes o sol se pôs
acegando os meus olhos
até a escuridão me dar
a luz que tinha perdido

Esperei-te tantas vezes
no meio da cumplicidade das gaivotas
e o mar dava-me o seu silêncio
ao receber o meu naufrágio

Fez-se tarde
e estes dias são esse tempo
aonde todas as recordações
morrem lentamente aos meus pés


RuiLuís

sexta-feira, dezembro 24, 2010

Não te espero mais (Non ti aspetto più )

(Joseph Mallord William Turner)


Não te espero mais
nem mesmo que voltes
e contigo volta-se o verão

Não te espero mais
já se passou tanto tempo
as minhas épocas do ano acabaram

Não te espero mais
e vou me embora daqui
depois desta ponte
uma outra ponte
e agora um rio
e mais um rio
lá estará

Não te espero mais
e vou me embora porque
depois deste horizonte
um outro mar
e mais um mar
e um outro amor
lá estará


Gianmaria Testa (Tradução do italiano por RuiLuís)

quarta-feira, julho 15, 2009

A Saudade



(pintura de mari aulinen: "der regen ist vorbei")

A chuva cai,
eu,
árvore nua.
as folhas caídas,
neste chão, neste inverno.

meu sorriso indiferente,
eu,
numa foto antiga.
a saudade desvaneceu,
estou mais perto, neste inverno.

a chuva cai,
em mim,
nesta paisagem, este café frio,
esta manhã cinzenta.

teu último beijo,
teus lábios,
tua saliva,
teu gosto,
a saudade desvaneceu.

RuiLuís

domingo, junho 03, 2007

Licht

( Bild von Elisabeth Schubert "Kraft der Liebe")

Ein Licht in der Stille
erhellt die Dunkelheit
zu einem Moment,
wie eine Berührung,
wie ein Hauch.

In kurzer Zeit
zerbricht es die Sehnsucht,
erfüllt den Wunsch
und stillt den Durst
in der Trockenheit der Einsamkeit.

Ein Licht in der Stille
die uns umhüllt, uns umschließt
wie der Mantel einer Nacht,
der uns vereint
bis der neue Tag erscheint.


rui luís