quinta-feira, dezembro 27, 2018

CLIII 8






(foto by ruiluis)


Quando dissemos que sim
Não sabíamos que seria pra sempre
Olhaste e eu olhei, gostaste e eu gostei
Olhas me e gostas, gosto e olho te

Quando dissemos que sim
Encontrámo-nos mais tarde ao pé do Tejo
O mar a embalar as ondas
As ondas no mar dos nossos beijos

A rua e as escadas sabem do nosso sim
A cidade sabe dos nossos encontros
E o mar é cúmplice do segredo 

Nosso Tejo, nosso Cristo Rei, nosso abraço
Nossa árvore - torso, nossa festa, nossa paixão
E o mar é cúmplice do segredo


domingo, julho 08, 2018

153 VII



(foto by RuiLuís)



Quero ser o lençol que envolve o teu descanso,
A almofada que ampara o teu rosto,
Quero ser o despertador que te acorda,

A toalha de banho que seca os recantos do teu corpo.
Quero ser as calças, a t-shirt que te compõe,
O teu café que saboreias.
 
Quero somente estar junto a ti, sempre.

Digo-te que te quero
Digo-te que te amo
Todos os dias
Todo este tempo que nos resta

A contar marés
A contar beijos
É aquilo que te sei dizer
Meu amor, 
meu amor, 
meu amor... 

RuiLuís & Maruxinha

segunda-feira, fevereiro 26, 2018

CLIII 6









(foto by ruiluís)




Amamo-nos com palavras, despimos a roupa 
e tapamos com o lençol os pés da saudade

Sentimos as letras, como o toque de cada dedo, 
no corpo nu do anseio


Leva-me contigo e deixa-me ver o teu cantinho, 
aonde me guardaste no tempo

Mostra me o livro em branco da nossa ausência 
e vamos começar a escrevê-lo


ruiluís

terça-feira, fevereiro 20, 2018

153 V







(Foto by Maruxinha)

A janela fechada
Sem sinal de ti
A saudade aperta
E a distância aumenta
Inquieta, procuro-te

A tarde é longa
Sem sinal de ti
O sol brilha
Mas não me aquece
Ansiosa, procuro-te

A luz apagada
Sem sinal de ti
A dor do silêncio
Invade o meu peito
Impaciente, procuro-te

A noite cai
Sem sinal de ti
O meu corpo gelado
De alma vazia
Desesperada, procuro-te


Maruxinha

domingo, outubro 22, 2017

CLIII 4


(Foto by Maruxinha)




Vi-te, tremi.
Confirmei-te, suspirei.
Trazias a chave da minha gaveta,
trancada a cadeado.

Foste abrindo-a, com delicadeza.
Pouco a pouco,
soltaram-se as lembranças,
acordaram-se as memórias.

O mar vai trazendo o passado,
como uma “história interminável”
Onda a onda, um gesto teu.
O pôr do sol, a saudade.

Cada palavra escrita, a descoberta.
Escutei-te, estremeci.
A tua voz suave e meiga,
doce e madura,
acalmou o meu anseio.

Trocam-se gostos,
desvendam-se cumplicidades.
Cada música, cada letra,
cada foto, cada momento,
faz diminuir a distância.

O passado mistura-se com o presente.
Procuro-te no luar.
Esboço o teu rosto,
no tecto do meu quarto.

Acordo e corro para a janela.
Vejo o teu olhar, o teu sorriso,
a cada amanhecer.
O presente mistura-se com o passado.
“Nem eu” mais me entendo


Maruxinha

segunda-feira, outubro 16, 2017

CLIII 3



(Foto: "Mar de Galicia" by Ruiluís) 


Pensava em ti,
Na distância,
No percurso...

Com o silêncio das abelhas
As nuvens fechavam o azul do dia 
Com o vento as pétalas das margaridas
Soltavam-se da flor 

Sabemos do nosso segredo 
como um Outono distante
E arrumamos as nossas prendas em gavetas fechadas à chave
Para entregar quando o tempo for certo

O vento do outono leva as pétalas 
e deixa as voar para um destino qualquer
No silêncio das abelhas os nossos corpos 
aproximavam-se com a cumplicidade do Atlântico

Pensava em ti,
Na distância,
No percurso...


Ruiluís 

domingo, setembro 24, 2017

153 II


(Gerhard Richter - Seelicht (Gegenstück))


Lembro-me de ti,
Não sei mais quem nos apresentou
Sei do primeiro sorriso
E do primeiro beijo na cara

Gostei de ti
Depois atrevi-me à malandro
beijei-te na boca
E tu aceitaste

Lembro-me das escadas,
Das noites à tua espera
Aonde saías com a cadela
Pra namorar contigo

No cinema, as nossas mãos
Aqueciam os beijos
Começava a nossa história infinita
Enquanto o mar nos espera

Um dia tive de me ir embora
Sem te dizer adeus
Fui pra outro país
E nunca mais te vi

Depois procurei-te
Tempos e tempos
Escrevia o teu nome
O Google não sabia

Num dia reencontrei-te
Fiquei feliz e tu também
Somos viajantes do passado
do agora e do futuro

Às vezes fico a olhar pra ti
E prás coisas que dividimos
Ouvimos a mesma música
E lemos as mesmas letras 

Um dia vou me atrever outra vez
e beijar-te-ei na boca
Vou ficar nas escadas à tua espera
Para depois segurar a tua mão

Quando um dia formos almas
Já não estaremos cá mais
Mas não te preocupes com isso
Porque as almas também namoram 


Ruiluís