Enquanto Dormes (2026)
Escuto os teus movimentos
nas brumas da manhã.
O teu sono —
um ritmo lento
ao lado do meu.
Nada faço
senão permanecer.
Sigo o caminho entre as brumas,
sem perguntar
quando se dissipam.
O tempo passa
sem medida:
o teu,
o meu,
este breve intervalo
em que existes perto.
No silêncio,
as palavras aproximam-se —
mas não cabem.
A lua sabe delas.
Penso-te
na linguagem que não digo.
Agora,
não quero falar.
Escuto-te.
Enquanto dormes.
E guardo
o instante suspenso
antes do despertar.
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